Seguindo a Maré Do Sucesso: Budah e a Força Da Intuição

Budah percorreu um longo caminho até chegar ao lançamento de seu primeiro álbum, “Púrpura”, em 2024. Transparente ao narrar sua própria trajetória, transformou vivências em canções que, ao longo dos anos, conquistaram um público fiel. Seus singles e colaborações com outros artistas também seduziram nomes que reconheceram o talento da cantora capixaba — natural do Espírito Santo, estado da região Sudeste do Brasil, território que continua a inspirar e a moldar sua arte.

Como em sua canção _Maré_, em que entoa “Minha intuição forte me dizendo que era pra seguir”, Budah ouviu seus instintos e constrói uma carreira já marcada pelo sucesso, com reconhecimento de grandes marcas, como a premiação BET Awards e a plataforma VEVO. Encantada pela música desde a infância — paixão herdada do avô, que cantava em casa, do pai, que teve uma banda de samba e, mais tarde, influenciada pelo hip hop —, Budah se tornou um dos nomes mais promissores da cena brasileira. Ela ocupa um lugar de destaque e serve de referência para artistas que sonham alcançar esse espaço tão especial.

FEATURE INTERVIEW:

Como nasceu o seu amor pela música?
Meu amor pela música começa dentro de casa, com as referências da minha família. Meu avô sempre cantava, meu pai tinha um grupo de samba… então cresci cercada de música. Mas foi na adolescência que o hip hop me atravessou de verdade, e senti que ali era meu caminho. Descobri a cena do ES, comecei a ir pras batalhas de rima, a grafitar, a ser DJ também… e entendi que aquele era o meu lugar. Era onde eu ia ser reconhecida e acolhida por uma cultura que me formou e moldou quem eu sou hoje.

Como foi crescer no Espírito Santo, estado brasileiro conhecido por sua rica cultura e paisagens exuberantes? De que forma isso influenciou sua arte?
Crescer no Espírito Santo foi essencial para a artista que me tornei. É um estado com uma mistura cultural muito rica — tem o mar, a serra, as festas populares, o congo e também uma cena urbana cheia de talento. O ES me ensinou a valorizar minhas raízes e a olhar para o que é nosso. Sempre que subo no palco carrego um pouco dessa energia, seja na forma como canto, no que escrevo ou no orgulho de representar um lugar que ainda é pouco explorado na música nacional. E me inspiro em artistas capixabas que abriram caminhos e provaram que o Espírito Santo tem voz e potência.

Em que momento você percebeu que seu talento havia se transformado em seu trabalho?
Foi quando comecei a entrar em estúdio e trocar com outros artistas. Até então, era muito eu e minhas letras. Mas quando lancei minha primeira música e vi pessoas que eu nem conhecia reagindo, percebi que algo estava mudando. Depois vieram os convites para grandes feats, como MC Cabelinho, Djonga, Poesia Acústica e o reconhecimento de uma gravadora, a Universal. Aí caiu a ficha de que aquilo estava ficando sério. Foi nesse processo que entendi que não era mais só sobre gostar de fazer música, mas era sobre viver disso.

Cada artista tem seu próprio ritual na hora de criar. Alguns começam pela melodia, outros pela letra. Como funciona o seu processo de composição?
Meu processo é muito intuitivo. Às vezes começo pela melodia, outras vezes por uma frase que me atravessa. Tem dias em que escrevo direto no celular, outros em que só consigo escrever no papel, rabiscando. Muitas das minhas músicas nascem de conversas, experiências e observações do dia a dia de coisas que vivo e que sinto.

Você já compôs algo muito pessoal e acabou não tendo coragem de lançar?
Sim, mas “Púrpura” veio para mudar isso. Foi o momento em que coloquei minhas vulnerabilidades no mundo. Depois de uma trajetória com muitos feats, singles e músicas que fizeram sucesso, lançar um projeto fechado foi muito diferente pra mim. No álbum, eu falo muito sobre amor, sobre relações que vivi e sobre como enxergo esses encontros e desencontros. Vejo esse trabalho como um marco de me permitir expor uma camada minha que o público ainda não conhecia.

O que significou para você, em termos pessoais e profissionais, receber a indicação ao BET Hip Hop Awards? Como foi viver esse reconhecimento?
Ser indicada ao BET foi ser reconhecida por uma cultura que me formou e, ao mesmo tempo, foi muito importante que isso acontecesse neste momento da minha carreira. Ser a única mulher brasileira ao lado de nomes tão importantes como os Racionais, num prêmio tão respeitado, já é gigante por si só. Estar lá, num evento internacional, sentindo aquela energia, conhecendo artistas que sempre admirei e vendo meu nome circulando entre eles foi gigante.

Me fez lembrar de cada batalha, literal e figurada, que enfrentei para estar aqui. É um reconhecimento que vai muito além: é sobre validar todo o esforço, as madrugadas no estúdio, os nãos que ouvi e a persistência de acreditar no meu som e em mim. Além disso, foi uma viagem muito proveitosa, que me levou para o estúdio com Wyclef Jean e abriu novas portas que eu nem imaginava. Pessoalmente, é como dizer para a Budah adolescente, lá no Espírito Santo, que valeu a pena não desistir.

Existe algum palco em que você sonha se apresentar?
Sonho com muitos e já tenho realizado alguns, rodando com minha turnê pelos principais festivais, como The Town e Afropunk. Mas um deles é o Coachella. Acho que seria incrível levar o rap e o R&B que faço, com toda a minha identidade brasileira, para um festival que reúne pessoas do mundo todo. Também quero muito me apresentar pela América Latina porque sinto que minha música conversa muito com essas culturas.

TEAM CREDITS:

Editor-in-Chief: Prince Chenoa

Feature Editor: Taylor Winter Wilson (@taylorwinter)

Brazil Editor: Leonardo Loreto (@leonardoloreto)

Writer: Gillian Caetano (@gilliancaetano)

Photographer: Vinicius Marques (@vinimarqu)

Photography Assistant: Paulo Nicacio (@paulocnicacio)

Post-production: Acid Vk (@acid.vk)

Hair Stylist: Theodora Dias (@bytheodoradias)

Assistant Hair Stylist: Bárbara Delalibera (@delaliberas)

Wardrobe Stylist: Pedro Mendes (@pedromendes8)

Fashion Production: Jessica Torres (@_torresjess)

Budah’s Production: Bianca Rosa (@biancaroseta)

Project Manager: Debora Freitas (@debbyfreitass)

Communication: Patrícia Gatti (@paratrissa)

Social Media: Bela Dantas (@_beladantas)

Public Relations: Estar Comunicação (@estarcomunicacao , @eduardagvm)

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