A Revolucionária Duda Beat
Duda Beat não tem medo de se arriscar — na vida e na arte. Largou os estudos que a preparavam para cursar Medicina e decidiu investir na música, sonho que se consolidou como ofício ao conquistar um público que, de imediato, se identificou com a nova roupagem da sofrência apresentada em “Bixinho”, seu primeiro single. Naquele momento, o som destoava do que fazia sucesso no Brasil. E foi justamente com essa liberdade de experimentar e brincar com ritmos e texturas que Duda Beat construiu seu próprio modelo de popstar.
Em seu mais recente álbum, “Tara e Tal“, a cantora reafirma a amplitude e ousadia do seu repertório. De pegada eletrônica, o projeto dançante é marcado pela sensualidade, mas também reserva espaço para o romantismo — característica que a consagrou e se tornou parte essencial de sua identidade. A artista prepara o lançamento de um EP ainda para este ano, mas, antes do compilado, seus fãs podem matar a saudade com “Nossa Chance”, parceria com TZ da Coronel.
Duda não pode ser comparada: ela escreve seus próprios passos e ocupa um lugar que é só seu. Sua música é diferentemente boa — carrega sensações que, de tão reais, se tornam quase palpáveis e absolutamente inesquecíveis.
FEATURE INTERVIEW:
Como costuma dar início a um novo projeto? Conta um pouco sobre o processo — da composição à escolha dos parceiros, passando pela produção até o lançamento.
Costumo dar início a um novo projeto assim que termino o anterior. Pra mim, é assim: eu vou criando, né? Eu acho que o artista que cria todo dia vai fazendo as canções, vai vendo onde se encaixam, aonde vão… E isso tem acontecido muito aqui na minha vida. Vou criando e criando, pensando no futuro, pensando em como quero definir a fase em que estou agora — que é a que estou criando neste momento.
O processo de composição começa assim, sabe? Normalmente, eu componho a letra e a melodia sozinha. Aí encontro meus parceiros de composição, o Lux Ferreira e o Tomás Troia. O Troia harmoniza no violão, a gente pensa sobre isso, grava algumas guias e deixa um pouco de lado, sabe? Porque eu também acho que a arte precisa de tempo, né? Não é à toa que o ócio criativo é uma ferramenta tão importante pro artista. É bom também deixar um pouco de lado, dar uma abandonada, sabe? Depois voltar naquela canção que eu criei, pra poder lapidar, ver se ainda gosto, talvez trocar uma palavra ou outra…
Os processos vão acontecendo de forma lenta — e não é à toa também que eu demoro entre um disco e outro pra lançar. Porque eu sinto que a arte precisa de tempo. Aí, a partir disso, vamos escolhendo os parceiros, os músicos que vão entrar nas produções. Por exemplo, no meu próximo disco, quero trazer outro produtor junto. Vai ser uma experiência nova pra gente também. Isso acontece pelo tipo de música que estamos fazendo, pela maneira como quero me comunicar sonoramente. Então, tudo isso vai fazendo parte desse processo até chegar ao lançamento. O lançamento é a fase mais corrida: escolher a capa, subir as músicas… Mas as canções, de fato, levam tempo. Esse momento da criação é muito bonito e muito poderoso.
O que seus fãs podem esperar dos próximos trabalhos? Uma nova fase sonora, estética ou pessoal está por vir?
Nova fase sonora? Acho que sempre, né? Sou uma cantora que gosta de me reinventar. Não consigo muito me acomodar sonoramente. Sinto que sou alguém que gosta de arriscar, de trazer para dentro do meu trabalho gêneros que ainda não explorei, coisas que ainda não fiz. Porque também sou ouvinte, sou fã — e gosto de me surpreender com os artistas de quem sou fã.
Além disso, eu gosto tanto de música — e de tantos estilos, de tantos tipos — que, para mim, é muito difícil fazer uma coisa só, sabe? Apresentar sempre a mesma fórmula, ou repetir algo que já venho fazendo. Eu me desafio nesse lugar também: o de experimentar e misturar coisas novas.
Meus fãs me conhecem. Eles podem esperar dos próximos trabalhos, com certeza, algo diferente do que já fiz — mas sempre comigo ali, presente, contando minhas histórias, dividindo o que estou vivendo e o que quero viver também, né? Canção também é sobre sonho. Criação é sobre sonho e sobre realidade.
Neste momento, vem aí uma nova fase sonora… mas nem sei se chamaria de nova. Sinto que o que está chegando agora, ainda este ano — esse EP que vai sair — é muito mais uma extensão do que eu já vinha fazendo. Só que de forma mais leve, mais fluida. Nesse meio-tempo, compus várias canções, e algumas delas ainda pediam essa roupagem eletrônica. Isso vai se manter um pouco por enquanto. Só no ano que vem, em 2026, é que chega o novo de verdade — uma roupagem completamente diferente, tanto sonora quanto estética.
Na sua visão, qual é o maior desafio de ser artista hoje, em meio a uma indústria tão acelerada e volátil?
O meu maior desafio de ser artista hoje é o tempo das coisas. O criador precisa de tempo para lapidar as ideias. Não é à toa que o ócio criativo é a pedra mais preciosa do artista. Essa pressa por coisas novas, essa cobrança pela entrega, me deixa muito inquieta. É um desafio para mim, que gosto de fazer as coisas com calma, lapidar. Às vezes o mundo está correndo muito rápido e eu só quero estar parada. Acho que esse tempo precisa ser respeitado.
O que mais tocou nos seus fones em 2025? Teve algum som ou artista que te acompanhou de verdade ao longo do ano?
Tiveram alguns. No Brasil, posso citar o Bruno Berli, artista de quem sou muito fã. Ele é genial. As canções dele são tão profundas e tão bonitas e, ao mesmo tempo, tão simples. Existe uma beleza no simples que ele faz, que é uma coisa que me toca muito. Além disso, no extremo oposto, vou citar o duo Mundo Video. É um som muito mais eletrônico, muito mais experimental. É uma onda que eu me amarro, eu vibro. Os dois têm um pouco do que faço, os dois me nutrem e me inspiram. O Bruno tem a calma e a beleza da canção, que é o que adoro fazer no meu trabalho. E o Mundo Video tem uma inventividade no som que me deixa muito encantada. Você entra em uma música do Mundo Video e com certeza não sai dela da mesma maneira que entrou. Tem sempre novidade. E eu sou uma pessoa que adora fazer isso na minha música.
Gosto de ir apresentando novidade, coisas que o público não espera — e acaba acontecendo. Além disso, Luedji Luna: sou muito fã. É uma artista que, cada vez mais, vai ter o reconhecimento que merece, porque ela é muito talentosa. Ela acabou de lançar dois discos incríveis e, se você mergulha neles, com certeza sai diferente. Esses são artistas que me tocaram muito em 2025. Gostei bastante do “Mayhem”, da Lady Gaga. Ouvi muito! Achei muito legal que ela teve como inspiração Nine Inch Nails e Radiohead, que são duas bandas que também me inspiram. Sou muito fã dessas duas bandas. E o que sempre está no meu repeat: System of a Down, Incubus, Marina Lima, anos 80 internacional, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Maria Bethânia. Essa galera faz parte da minha vida.
Qual é a sua música preferida de todos os tempos? Aquela que nunca sai do seu repertório — nos palcos e na vida.
A música que nunca sai do meu repertório é “Bixinho”. É um clássico! É uma música que os fãs amam. Eu tenho algumas músicas preferidas do meu repertório, como “Todo Carinho“, “Meu Coração“, “Mais Ninguém” e “Na Tua Cabeça“. Todas essas são canções que me tocam e me deixam muito feliz quando canto. Se eu tivesse que citar apenas uma, seria “Mais Ninguém”, porque ela me emociona. É uma canção que eu choro ao ouvir.
O que não pode faltar com você ao sair de casa?
Minhas guias. Não saio sem minhas guias e a minha proteção. E o pensamento positivo — o pensamento bonito de que estou saindo de casa e que alguma coisa muito boa vai acontecer.
TEAM CREDITS:
Editor-in-Chief: Prince Chenoa
Feature Editor: Taylor Winter Wilson (@taylorwinter)
Brazil Editor: Leonardo Loreto (@leonardoloreto)